Um novo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o número de trabalhadores em bares, restaurantes e hotéis em Goiás diminuiu significativamente, passando de 227 mil para 206 mil entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Esta queda de aproximadamente 21 mil postos de trabalho representa uma redução de 9% no total de empregos desse setor.

A pesquisa, parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), destaca que, embora a oscilação seja notável, o IBGE considera esses números estatisticamente estáveis. O instituto ressalta que a natureza amostral da pesquisa implica uma margem de incerteza, não confirmando necessariamente demissões ocorridas.

O contexto da pesquisa é especialmente relevante, uma vez que abrange o período após a realização do MotoGP em Goiânia, que ocorreu entre 20 e 22 de março. Este evento esportivo gerou expectativas de aumento no movimento turístico, levando muitos estabelecimentos a reforçar suas equipes e adaptar seus serviços, o que faz a queda nos empregos ser ainda mais surpreendente.

No segmento de hotelaria, a percepção é de que a redução de custos levou à diminuição das equipes. Segundo Charleston Calasans, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (ABIH-GO), a dificuldade em atrair turistas e a elevação dos custos operacionais impactam negativamente o setor. “Isso diminui a taxa de ocupação e aumenta os custos de manutenção, que são os mais altos na hotelaria”, afirmou.

Calasans observou que muitos hotéis têm ajustado suas escalas de trabalho para modelos que reduzem a quantidade de funcionários e, em alguns casos, optam pela terceirização de serviços como uma estratégia para cortar despesas. “Precisamos enxugar muitos aspectos para garantir a sobrevivência”, disse.

Apesar dos desafios, a qualificação da mão de obra continua a ser uma prioridade. “Estamos investindo em treinamentos para aprimorar os profissionais disponíveis”, destacou Calasans, enfatizando que aqueles com currículos robustos ainda encontram oportunidades no mercado.

Por outro lado, a perspectiva no setor de bares e restaurantes é mais otimista. A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), Jaldete Rodrigues, discorda da análise do IBGE. Para ela, a demanda por trabalhadores neste segmento permanece alta, e os estabelecimentos enfrentam dificuldades em preencher vagas. “A demanda tem crescido e, em alguns casos, temos até 2 mil vagas abertas por falta de candidatos”, afirmou.

Rodrigues também sugere que a diminuição observada na PNAD pode ser atribuída à migração de trabalhadores para outros setores ou mudanças nos tipos de vínculos contratuais. “Muitos optam por atuar como freelancers ao invés de buscar emprego formal, o que pode influenciar os dados de ocupação”, explicou.

O mercado de trabalho em Goiás, de modo geral, apresenta um cenário de estabilidade, com aproximadamente 3,8 milhões de pessoas empregadas no segundo trimestre de 2026, número similar ao do ano anterior. A taxa de desemprego também registrou uma queda de 4,4% para 4%, refletindo uma leve melhora nas condições de trabalho no estado.

Em suma, a situação do emprego em bares, restaurantes e hotéis em Goiás demanda atenção, principalmente diante das diferentes percepções entre os setores. Enquanto a hotelaria enfrenta desafios com a redução de pessoal, o setor de alimentação parece seguir em busca de novos talentos para atender à demanda crescente.