A reinstalação do executivo Celso Eloi de Souza Cavalhero no comando da BRBCard, empresa integrante do Conglomerado BRB, provocou forte reação das representações trabalhistas do Distrito Federal. O Sindicato dos Bancários de Brasília manifestou profunda preocupação com a integridade física e emocional dos colaboradores diante da volta do dirigente ao ambiente de trabalho, enquanto pesam contra ele sete denúncias de assédio moral e sexual classificadas como de elevada gravidade.

O impasse administrativo e a volta do executivo

Afastado preventivamente pelo Conselho de Administração do Banco de Brasília no início de julho, Cavalhero teve seu desligamento temporário aprovado para assegurar a isenção das apurações e resguardar testemunhas. Na ocasião, o colegiado considerou a medida indispensável para evitar interferências na coleta de provas e preservar a dignidade dos denunciantes.

A deliberação, no entanto, acabou revertida após manifestação da Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF). O órgão de controle avaliou que o ato originário de suspensão continha inconsistências formais, apontando que a medida havia sido aplicada sem a devida individuação de ameaça concreta à instrução processual. Embora a posição da CGDF possua caráter opinativo, a orientação abriu caminho para a reintervenção e o regresso imediato do presidente à gestão corporativa.

Clima de apreensão no ambiente de trabalho

O retorno do investigado desencadeou insegurança generalizada na instituição. Trabalhadores que prestaram depoimento à Corregedoria do DF relatam sentimento de desproteção e receio de retaliações. O ambiente de tensão levou, inclusive, ao pedido de demissão de funcionárias impactadas pelas supostas condutas abusivas.

Em nota oficial, o sindicato ressaltou que defende o direito ao contraditório e à ampla defesa do gestor, mas frisou que a prioridade deve ser a garantia de um espaço de trabalho seguro e livre de constrangimentos. A entidade cobra do conglomerado uma investigação rigorosa, imparcial e transparente.

As acusações sob investigação

As denúncias que motivaram o processo administrativo envolvem uma série de condutas graves atribuídas à presidência da BRBCard. Entre os pontos levantados figuram:

  • Microgerenciamento punitivo: imposição de rotinas de controle ostensivo e desproporcional;
  • Exposição pública de empregados: submissão de subordinados a momentos de humilhação e constrangimento;
  • Comunicação hostil: utilização de tom intimidador e desqualificador no tratamento com as equipes;
  • Uso abusivo de autoridade: desgaste intencional do clima organizacional com reflexos na saúde mental dos funcionários.

Consultadas sobre o posicionamento do conglomerado e o acompanhamento das denúncias, as assessorias de imprensa do BRB e da BRBCard não enviaram resposta até a publicação deste texto. O espaço segue franqueado para as manifestações dos citados.