O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) deu início, nesta segunda-feira (17), a uma mobilização em diversas escolas da rede municipal de Goiânia. A ação surge após a decisão dos servidores administrativos de retomar a greve, que se inicia hoje, como forma de protesto contra a proposta de atualização salarial apresentada pela Prefeitura.
A presidente do Sintego, Ludmylla Morais, informou que durante a semana, membros do sindicato visitarão unidades escolares em diferentes regiões da capital para dialogar com os trabalhadores e incrementar a adesão ao movimento. As localizações das visitas serão divulgadas diariamente nas redes sociais da entidade.
No primeiro dia de mobilização, a direção do sindicato será dividida em duas equipes. Uma delas se concentrará na Região Noroeste, na Escola Municipal Leonísia Naves, enquanto a outra estará na Região Leste, em frente à Escola Municipal Bom Jesus, ambas a partir das 8h.
Esta mobilização acontece em um contexto de renovação da greve dos servidores administrativos da educação municipal, que foi decidida em assembleia extraordinária realizada na última quinta-feira (13). Dos 631 trabalhadores que participaram da votação, 361 se opuseram à proposta do município, enquanto 270 a apoiaram.
Os membros do sindicato optaram pela paralisação após extensas negociações com a Prefeitura. A principal demanda dos servidores é a criação de um novo plano de carreira para a categoria.
Proposta da Prefeitura e Rejeição dos Servidores
A Prefeitura apresentou uma proposta de reestruturação de carreira, com previsão de implementação entre 2026 e 2030, que, segundo estimativas, teria um impacto financeiro de R$ 10,2 milhões em 2026 e R$ 62,6 milhões anuais a partir de 2030. As medidas incluem aumentos financeiros a partir de agosto de 2026 e a elevação do piso do Nível I, Referência A, para R$ 1.640, além de uma recomposição gradual das diferenças entre referências e níveis.
No entanto, a proposta foi rejeitada pelos servidores. Ludmylla ressaltou que o sindicato havia sugerido uma contraproposta para que a atualização salarial ocorresse em um prazo mais curto, mas não houve consenso com a Prefeitura. A categoria já havia suspenso temporariamente uma greve anterior para facilitar as negociações, mas, segundo o Sintego, mais de oito reuniões não resultaram em avanços satisfatórios.
Decisão Judicial e Consequências da Greve
Em um desdobramento recente, a Justiça determinou que o Sintego mantenha pelo menos 70% dos servidores administrativos ativos em cada escola durante a paralisação. A decisão foi proferida pela 1ª Seção Cível, em resposta a um pedido da Procuradoria-Geral do Município (PGM).
O cumprimento dessa determinação será avaliado individualmente em cada unidade escolar, sendo que registros de frequência funcional poderão ser utilizados para verificar a presença dos profissionais. Em caso de não cumprimento, o sindicato poderá enfrentar multas diárias de R$ 5 mil, até um teto de R$ 100 mil.
A Prefeitura argumenta que as atividades realizadas pelos servidores administrativos são essenciais para a operação das escolas e dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), englobando funções de atendimento, organização, segurança, higiene e alimentação escolar. É importante ressaltar que a rede municipal abriga cerca de 120 mil alunos.




