Paciente em estado crítico aguarda cirurgia em Anápolis

A produtora rural Silemar Ferreira da Fonseca, de 57 anos, enfrenta uma situação desesperadora em decorrência da doença de Chagas. Internada e intubada na Santa Casa de Misericórdia de Anápolis há 18 dias, Silemar aguarda a transferência para um hospital que possa realizar o implante de um marcapasso CDI, essencial para sua sobrevivência. A luta da família pela realização do procedimento se estende por meses e agora se tornou um caso judicial.

De acordo com seu filho, Cleidimar Ferreira Pires, a família obteve duas decisões judiciais favoráveis—uma emitida em 4 de agosto e outra em 7 de agosto—mas, até a presente data, nenhuma medida foi executada. "Minha mãe está em estado gravíssimo devido a problemas cardíacos e a falta do marcapasso pode ser fatal", declarou Cleidimar.

Histórico da condição de saúde

A situação de Silemar começou a se agravar após adoecer enquanto morava em uma chácara em Goianésia. Inicialmente atendida no Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) em Goiânia, ela foi posteriormente transferida para a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, onde foi avaliada para o implante do marcapasso CDI. A família afirma que busca a realização do procedimento há aproximadamente oito meses.

  • Deslocamento em busca de tratamento: O pai de Silemar mudou-se para Anápolis em busca de melhores condições para a saúde da esposa.
  • Desafios burocráticos: A família critica a morosidade do sistema e a burocracia enfrentada para garantir o tratamento adequado.
  • Apoio das autoridades: A Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis comunicou que está em busca de vaga no SUS, mas enfrenta obstáculos na regulação do acesso.

Decisões judiciais e impasses legais

O caso ganhou atenção judicial em agosto, quando o juiz Gabriel Consigliero Lessa, da Vara da Fazenda Pública Estadual de Anápolis, determinou que o implante do marcapasso fosse realizado em até 24 horas. Contudo, a falta de infraestrutura médica na Santa Casa para realizar o procedimento complicou a situação. Em uma nova decisão, o juiz ordenou que o Estado de Goiás e a Prefeitura de Anápolis providenciassem a transferência de Silemar para uma unidade de alta complexidade em cardiologia.

A ordem judicial especifica um prazo de três dias para a transferência e estabelece um bloqueio cautelar de R$ 108,3 mil nas contas dos responsáveis pelo cumprimento da medida, caso a transferência não seja comprovada dentro do prazo estipulado.

Respostas das autoridades de saúde

A Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis informou que está acompanhando o caso e se esforçando para agilizar a liberação de uma vaga no SUS, seja em Anápolis ou em Goiânia, onde já existe um pacto de serviços. Entretanto, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) esclareceu que não recebeu nenhum pedido formal para busca de leito em nome da paciente e reiterou que a regulação deste tipo de procedimento é uma responsabilidade do município.

A situação evidencia a complexidade do sistema de saúde e os desafios enfrentados por pacientes que necessitam de cuidados urgentes. Enquanto a família de Silemar aguarda por uma solução, o caso ressalta a importância de uma gestão eficiente na regulação dos serviços de saúde.