Retomada da Greve na Educação em Goiânia

Os servidores administrativos da rede municipal de educação de Goiânia decidiram, em assembleia realizada na última quinta-feira (13), reiniciar a greve a partir de segunda-feira (17). A decisão ocorreu após a rejeição da proposta de atualização salarial apresentada pela Prefeitura da cidade.

A assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) e contou com a participação de 631 trabalhadores. Destes, 361 manifestaram-se contra a proposta do governo municipal, enquanto 270 se mostraram favoráveis.

Contexto da Mobilização

De acordo com Ludmylla Morais, presidente do Sintego, a retomada da paralisação é resultado de diversas tentativas frustradas de negociação com a administração municipal. Embora a Secretaria Municipal de Educação tenha sido procurada, até o momento não havia recebido notificação oficial sobre a decisão da categoria.

A mobilização dos servidores teve início no começo do ano, culminando em uma greve aprovada em abril. Os trabalhadores exigem, além da atualização da tabela salarial, a criação de um novo plano de carreira. Em resposta à paralisação, a Prefeitura buscou a Justiça, mas o pedido foi negado e uma mediação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) foi iniciada.

Negociações e Propostas

Durante o processo de mediação, os servidores suspenderam temporariamente a greve, esperando avanços nas negociações, especialmente em relação à proposta de um novo plano de carreira. O sindicato realizou mais de oito reuniões com representantes da Prefeitura, na expectativa de que um acordo fosse alcançado em um prazo de 60 dias, conforme estabelecido no TJGO. Contudo, a proposta final não atendeu às expectativas da categoria.

A proposta inicial da Prefeitura não apenas deixava de lado a criação de um novo plano de carreira, mas também apresentava uma atualização salarial que não atendia aos percentuais reivindicados pelos trabalhadores. Essa sugestão foi rejeitada em assembleia, onde os servidores autorizaram o sindicato a apresentar uma contraproposta.

Divisão do Movimento

Após a rejeição da proposta, a Prefeitura sugeriu a atualização da tabela salarial em cinco etapas até 2030, o que foi considerado insuficiente pelos servidores. Ludmylla esclareceu que a proposta atual não oferece valorização real, pois se limita a uma atualização da tabela já defasada.

Na tentativa de renegociar os prazos, o Sintego buscou alternativas, incluindo a divisão da atualização em apenas duas etapas, mas a Prefeitura manteve sua posição. Faltando sinais de avanço nas negociações, a categoria decidiu retomar a greve.

Próximos Passos

Embora a paralisação tenha sido definida, ainda não está claro se a greve será restrita apenas aos servidores administrativos ou se também incluirá professores e outros trabalhadores da educação. O sindicato planeja avaliar a situação jurídica antes de decidir sobre a ampliação da mobilização e discutir como a paralisação será organizada.

Conclusão

A retomada da greve marca um capítulo significativo nas lutas dos trabalhadores da educação em Goiânia, refletindo tensões persistentes entre a categoria e a administração municipal. A busca por uma tabela salarial justa e um plano de carreira que atenda às necessidades dos servidores continua sendo uma prioridade central.